Uma droga.... Era assim que ela o definia... Como uma droga, que entra de repente no seu organismo e toma conta.
Começou como uma brincadeira, uma coisa sem perigo. Pequenas doses a deixavam feliz, a faziam esquecer dos problemas. Aos poucos, isso já não era mais o suficiente. Ficava bem sem consumí-la, mas a vontade falava cada vez mais alto.
O acesso tornou-se cada vez mais fácil. A droga estava cada vez mais próxima, com cada vez menos barreiras entre eles. E assim, como já era de se esperar, o vício foi crescendo.
As emoções tornavam-se cada vez mais confusas. Ficava eufórica, acreditava que esta sensação boa duraria para sempre. E sempre queria mais. Pra que contentar-se com coisas banais se rapidamente poderia perder-se num mundo de alegria, tornar a fantasia realidade mesmo que por um curto período de tempo?
Aos poucos a realidade foi se sobressaindo. Percebia que nada daquilo era exatamente o que parecia ser. As sensações agradáveis cada vez mais rápido davam lugar à frustração. Mas percebeu isso tarde demais, estava viciada. Mais que isso, estava apaixonada, embriagada de fantasias inúteis, que só tornavam sua realidade mais cinza.
A cada dia pensava 'Preciso parar'. Duramente ia lidando com a vida, e enquanto a droga estivesse fora de seu alcance, tudo parecia correr bem. Mas bastava uma chance, uma deslizada para que lá estivesse, envolvida novamente nessa relação maravilhosamente destruidora.
Não há saída. Ruim com ela, pior ainda longe. Por mais dolorosa que fosse a volta, não compensaria não ter o doce gosto da viagem de ida. "Tenho o direito de ir e vir", pensou.